Como o jornalismo pode combater as Fake News

A popularização das redes sociais revolucionou a forma como as pessoas se comunicam, se relacionam e vendem. Mudou também a maneira como muitos consomem notícias, cada vez com menos texto e mais interação do usuário. Mas nem tudo é positivo no mundo online. As fake news, que são as notícias falsas, cresceram na mesma proporção e agora cabe ao jornalismo a difícil missão de mostrar a verdade. 

O desafio não é simples e nem inédito. Notícias falsas existem desde os primórdios do jornalismo, mas nunca foram tão disseminadas quanto agora. Estudo feito por cientistas de Massachusetts em 2018, mostra que as notícias falsas se espalham 70% mais rápido do que as verdadeiras e ainda alcançam mais pessoas. 

E não por influência de robôs, mas dos humanos que são os grande responsáveis pela ampla propagação das Fake News. Notícias podem mexer com o emocional das pessoas, que ao se sentirem envolvidas com aquele conteúdo não pensam duas vezes antes de mostrá-la aos colegas. Assim se inicia uma rede incontrolável de notícias falsas, criada para influenciar pessoas.

Considerando a velocidade da disseminação das Fake News, o papel do jornalismo neste combate pode ser comparado ao de uma formiga. Mas se não o jornalismo, quem tem alcance para conter essa perigosa rede? é certo que muitos podem contribuir para este trabalho, como a comunidade científica, por exemplo. Precisa haver uma força tarefa para desmentir o que circula nas redes sociais.

 Jornalismo para conscientizar

Se antes os veículos de comunicação viviam em uma disputa por poder e alcance, as dificuldades enfrentadas pelo jornalismo atualmente, tem contribuído para que trabalhem juntos. O combate às Fake News é um dos casos em que o discurso se iguala, na tentativa de conscientizar a sociedade sobre como reagir Às notícias recebidas nas redes sociais. 

O despertar para o senso crítico, a desconfiança do que é apresentado e a iniciativa de checar a origem do que se lê, são os argumentos apresentados incansavelmente pelos veículos de comunicação. O resultado pode não chegar na velocidade esperada, e ainda que a maioria caia nas redes das Fake News, ao menos muitos já aprenderam que elas existem e podem ser armadilhas. 

Fake News durante as eleições

Notícias falsas sempre existiram, mas foi nas eleições de 2018 que elas explodiram no Brasil. Na época o jornalismo já havia despertado para essa realidade e agências de fact-checking começaram a atuar de maneira mais efetiva. A disputa presidencial de rivais e os ânimos exaltados dos eleitores, foi o cenário ideal para que as Fake News se propagam em grande escala. 

Desde então o debate acerca do tema cresceu muito e tem alcançado as massas. Empresas globais como Google, Facebook, WhatsApp e Instagram começaram a entrar no debate e se posicionar sobre o assunto. Ainda que falte ação efetiva por parte delas no combate às Fake NEws, o cenário não é mais o mesmo de anos antes.

Agências de fact-checking 

As agências de fact-checking são iniciativas de jornalismo que se dedicam a checar notícias divulgadas na internet ou depoimentos de personagens públicos. Durante o período eleitoral, por exemplo, as  agências acompanham declarações de candidatos e verificam a veracidade das informações. Mas o serviço é realizado diariamente, na tentativa de minimizar os impactos das Fake News.

O Brasil tem diversas iniciativas destas, as principais são a Agência Lupa, que surgiu em 2015 como a primeira plataforma especializada em fact-checking e é vinculada a Revista Piauí, a Aos Fatos que checa notícias divulgadas na internet, a Boatos.org se especializou em verificar boatos da sociedade e investigar sua origem e a Fatos ou Fake lançado pelo portal G1 como forma de desmascarar notícias falsas e valorizar as verdadeiras.