Jornalismo comunitário e a pandemia do coronavírus

Foto: Kaike Gomes do Complexo do Alemão/Voz das Comunidades

Em um país com quase 210 milhões de habitantes e o 7° maior índice de desigualdade social, a informação não chega da mesma maneira para todos. A pandemia do novo coronavírus aumentou as distâncias sociais, escancarando problemas antigos que foram agravados pelo vírus. Nesse contexto o jornalismo comunitário cresce nas comunidades para tentar minimizar os abismos sociais.

O jornalismo comunitário utiliza a tecnologia, as várias plataformas com preferência pelas redes sociais e os próprios moradores das comunidades, para que a informação chegue até onde o jornalismo tradicional não vai. Mais que isso, é o jornalismo comunitário que revela as dificuldades diárias enfrentadas por essa parcela da população e busca soluções. 

Jornalismo para conseguir o básico

As grandes mudanças causadas pelo vírus foram a necessidade de isolamento social e aumento dos cuidados com a higiene pessoal. Lavar as mãos com água e sabão é a recomendação mais importante, mas como se proteger sem ter o básico em casa? O jornalismo comunitário tem o poder de atuar em situações como estas, denunciando, cobrando providências e indicando os caminhos para que a população chegue até as autoridades competentes. 

Mais que isso, o jornalismo comunitário faz o papel social de fomentar a solidariedade. Na vizinhança ou em toda a cidade, ao mostrar as dificuldades contribui para que os recursos saiam de onde sobra e cheguem até onde falta. Pode não resolver a situação por completo, mas certamente vai aliviar a dificuldade enfrentada no momento.

Repórteres das comunidades

Se a democratização dos smartphones e da internet transformaram qualquer cidadão em repórter, porque não usar esse potencial a favor da informação? O jornalismo comunitário oferece uma troca justa, utilizando o conteúdo que chega dessas pessoas e oferecendo informação de qualidade. 

O resultado é o aumento da audiência e forte engajamento, muitas vezes igual ou até superior que veículos de comunicação tradicionais. Essa relação estreita entre a redação e os leitores também proporciona o acesso À realidade com muita precisão. 

Jornalismo comunitário unido

A pandemia também contribuiu para que as iniciativas de jornalismo comunitário se unissem. Em março, quando os primeiros casos da Covid foram confirmados no país, 80 veículos assinaram uma carta aberta cobrando das autoridades atenção para as periferias, mais vulneráveis ao vírus. 

Além disso, criaram a hashtag #CoronaNasPeriferias para informar as comunidades sobre os cuidados a serem tomados e para acompanhar as reivindicações. Nessa esfera, as redes sociais e aplicativos de mensagem, como o whatsApp, se transformaram em meios de grande importância para chegar aos locais mais difíceis. 

Exemplos que dão certo

Iniciativas de jornalismo comunitário também se uniram para proteger suas comunidades. Em São Paulo foi criado o movimento #SalveCriadores pelos coletivos de jornalismo Periferia em Movimento, Alma Preta, Nós, Mulheres da periferia e Rádio Cantareira. Eles falam sobre o coronavírus e seus impactos nas comunidades mais vulneráveis.

No Rio de Janeiro o Gabinete de Crise do Complexo do Alemão foi formado pelo jornal Voz das Comunidades, com apoio do Papo Reto e Mulheres em Ação no Alemão. O intuito deles é não só levar informações relevantes, mas também arrecadar alimentos e produtos de higiene e distribuir para aqueles que necessitam. 

Jornalismo comunitário mapeado

A Agência Pública decidiu mapear as iniciativas independentes de jornalismo no país e criou o Mapa do Jornalismo independente. Nele estão aqueles que nasceram fruto de projetos coletivos e não ligados a grandes mídias. É possível conferir o mapa no site https://apublica.org/mapa-do-jornalismo/.