Jornalismo empreendedor, o oxigênio das consciências

Um dia os historiadores irão dividir a história do jornalismo em “antes e depois da internet”.

Ninguém sabe exatamente o rumo que esse processo irá tomar no futuro. Pode ser que num futuro mais próximo do que se imagina ocorra uma grande ruptura com o processo em curso.

O antes e o depois

O tema já é bastante surrado e muito celebrado pelos novos empreendedores digitais do jornalismo, também conhecidos como imprensa independente.

Chamava-se de imprensa independente, há cerca de 20 ou 30 anos, as iniciativas comunitárias, como rádios e jornais de bairros. Eram iniciativas incipientes e de pouco alcance, uma vez que competiam com a grande mídia pela única receita disponível que era a dos anunciantes, até porque a proposta era de entrega gratuita do conteúdo.

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Mídia Ninja é um desses formatos de jornalismo independente que surgiu. Aceito por uns e nem tanto por outros

A internet levou muito a sério essa questão do conteúdo gratuito. O conteúdo jornalístico surgiu com as primeiras ferramentas para a criação de sites, se estabeleceu e cresceu com a banda larga.

A importância e as dificuldades da mídia independente

Esse conceito de gratuidade de certo modo se estendeu aos anunciantes, e sua relação com a mídia mudou. Rentabilizar uma iniciativa editorial na internet cada vez mais requer criatividade. Colocar vários anúncios no site pode não ser o caminho, sobretudo porque a concorrência é gigantesca e a oferta limita a imposição de preços realmente lucrativos para a publicidade.

A questão é como lidar com isso, como transformar a internet num ambiente para negócios lucrativos.

Essa é a grande dificuldade do jornalismo empreendedor. O desafio é encontrar uma forma de se manter economicamente em um ambiente difuso, plural e de muita competição por visibilidade.

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A missão, todavia, é a mais nobre. Muito se fala na censura à imprensa nas ditaduras e no quanto a internet permite que iniciativas editoriais independentes consigam, pelo menos para além das fronteiras do Estado autoritário, levar as informações internas.

O problema é que a censura não está só nos regimes reconhecidamente autoritários. A grande mídia está ligada umbilicalmente aos dois maiores núcleos de poder: o político e o econômico. É uma questão de sobrevivência para quem necessita manter grandes estruturas funcionando, que demandam grandes gastos. Há muito pouco de realmente democrático na informação que é veiculada pela grande mídia.

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O jornalismo empreendedor é o oxigênio para a sociedade, no sentido de estabelecer um contraponto ao que é veiculado pela grande mídia. As mídias independentes tomaram a internet e se tornaram, para muitos, a principal e mais segura fonte de informação. Sai beneficiado, inclusive, o jornalismo investigativo.

A questão é como lidar com isso, como transformar a internet num ambiente para negócios lucrativos. Muitas das iniciativas editoriais vivem de doações, algumas cobram até assinatura. Outras vêm acoplando a iniciativa editorial a um projeto econômico agregado. Talvez o tempo mostre o caminho a ser seguido de uma forma mais organizada, mas isso só com o tempo.