Veículos tradicionais devem se integrar ao jornalismo digital?

A popularização da internet e das redes sociais mudou a forma das pessoas buscarem por informação não somente com relação ao meio em si, mas também com relação à velocidade.

Em vez de esperar pelos jornais impressos, agora a notícia deve ser publicada em tempo real e os veículos que não se adaptarem a esta novidade estarão fadados ao fracasso. Afinal de contas, quem vai querer comprar um jornal cujas notícias já não são mais tão novas assim, não é mesmo?

A questão é que os veículos tradicionais do Brasil e do mundo, que nasceram e cresceram em outros tempos, ainda estão tendo dificuldades em se adaptar a esta nova realidade.

Nos últimos meses o Brasil viu um de seus jornais mais antigos, o veículo Gazeta do Povo do Estado do Paraná, parar completamente a impressão de notícias, focando 100% de seus esforços na comunicação digital.

“Os Últimos Impressores de Jornal”: os gráficos Thiago, Ricardo e Eliton, após imprimir a última versão impressa do jornal Gazeta do Povo – Fotos: Daniel Castellano/Frame Foto.

A empresa fez uma reformulação em seu site, deixando o layout diferente, e demitiu jornalistas, impressores e outros profissionais que estavam ligados diretamente com a operação nas bancas.

A empreitada tem dado certo? Ainda é cedo para saber. O jornal ainda tem patinado um pouco com o próprio formato e com o conteúdo e ainda não se sabe o quanto esta decisão poderá afetar a vida da própria marca do jornal.

Ao mesmo tempo que ainda é difícil chegar a uma resposta final, não há como saber que esta é a saída ideal para outros veículos do setor. No caso paranaense, o jornal acumulara dívidas com o passar dos anos e as razões podem ou não estar relacionadas à linguagem do próprio veículo, à sua posição política, ou até a problemas de gestão.

Novo site do jornal Gazeta do Povo, que agora está focado em jornalismo digital e mobile. Foto: Reprodução Internet

Mas é óbvio dizer que o segredo da longevidade de um veículo de comunicação nos dias hoje precisa passar pelo universo online. Os jornais precisam ganhar velocidade, sem correr o risco de se atrapalhar com a transmissão de notícias e informações erradas.

Outra questão que tem estado em evidência nos últimos dias é a qualidade do jornalismo que tem sido apresentado para o público. Os jornalistas de grande parte das redações país afora não tiram o nariz da internet e fazem suas pesquisas baseando-se somente nas informações retratadas em outros veículos.

Nova redação do Jornal Nacional, que integra portais dos telejornais e G1, fusão entre jornalismo televisivo e digital.

Para que o jornalismo ganhe nova vida é preciso voltar ao princípio da profissão na qual a investigação e a busca real pela notícia – lá fora, onde tudo acontece – ainda era mais valorizada.

E a boa notícia é que não há mais empecilhos para agregar velocidade ao jornalismo de qualidade e investigativo. Os dispositivos móveis que ajudam aos leitores a encontrarem a informação de qualquer lugar e a qualquer hora também podem estar a serviço das equipes de jornalismo, que podem sair às ruas e passar o que realmente está acontecendo de onde quer que estejam.

Ou seja, para o novo leitor e provavelmente para as gerações que estejam por vir, não importa tanto o formato ou o meio no qual a informação esteja sendo transmitida, mas sim a sua qualidade e sua veracidade.

Com relação aos impressos, parar talvez ainda não seja a melhor ideia. As versões impressas podem completar o que está online, incluindo novidades, opiniões claras e muito mais.

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