Startups de jornalismo e a construção de uma nova era

A demanda por notícias em todo o mundo não é mais a mesma de anos atrás, dando espaço para as startups de jornalismo. Se antes a população aguardava o jornal na televisão ou no rádio para se informar sobre os acontecimentos recentes, hoje a notícia está em todos os lugares e a todo momento. O fluxo de informação é tanto que é possível e necessário que cada um selecione os assuntos de seu interesse. 

O leitor ganhou independência ao longo do tempo. Deixou de ser um expectador passivo, que consome o que lhe é apresentado, para escolher quais notícias quer ter acesso, em qual formato e em qual horário. Uma grande mudança para o jornalismo que segue tentando adaptar seu conteúdo às plataformas, formatos e necessidades de um público cada vez mais exigente. 

Apesar da credibilidade de anos, veículos de comunicação tradicionais passaram a perder muitos fãs. Uma parcela de pessoas que não se contenta com o que lhes é apresentado e faz valer seu direito de escolha sobre o conteúdo que consome. Startups de jornalismo crescem a partir de iniciativas independentes e com o incremento da tecnologia.

Startups e a comunicação

É justamente na demanda por conteúdos específicos, em formatos diversos e interativos  que as startups de jornalismo viram a oportunidade de ingressar na comunicação. Se as pessoas estavam cansadas da mídia tradicional, foi necessário mudar o modelo de negócio para rentabilizar o serviço noticiário. 

Parte do processo de questionamento do jornalismo se deve justamente ao modelo de negócio. A influência do governos e grandes empresas na imprensa derivada da relação comercial entre ambos, passou a ser criticado amplamente pela sociedade. Mais uma brecha para a ascensão do jornalismo independente.

Google apoia startups de jornalismo

Em fevereiro de 2020 o Google lançou um programa para apoiar startups de jornalismo. O  Google News Initiative Startup Lab atua em mais de 50 países auxiliando iniciativas para impulsionar a inovação nas notícias. No Brasil selecionou startups para participar do programa de imersão, com mentorias e treinamentos em todas as áreas do desenvolvimento do negócio. 

No portal do Google Iniciativa de Notícias é possível conhecer mais sobre as startups selecionadas e apoiadas pelo projeto. Também há treinamentos e workshops disponíveis para jornalistas gratuitamente. A iniciativa do Google comprova a tendência mundial do crescimento de iniciativas independentes e inovadoras de fazer jornalismo. 

Confira 5 exemplos de startups de jornalismo no Brasil

Agência Lupa 

É a primeira agência de fact-checking do país. Isso significa que em 2015, quando nasceu, foi pioneira em checar e corrigir informações divulgadas na imprensa. A startup de jornalismo vinculada a revista Piauí acompanha falas de autoridades, checa as informações e divulga os resultados em seu site. 

Presente em várias redes sociais, apresenta vários formatos de conteúdo em português, inglês e espanhol. A agência Lupa rentabiliza com a venda de suas reportagens, a plataforma Lupa Educação que comercializa palestras e workshops e apoio financeiro de editoras.

Money Times

É um exemplo de jornalismo independente e direcionado. A startup de jornalismo foi criada em 2016 ao perceber a demanda por notícias sobre o mercado financeiro e já se tornou o maior site independente de bancos e corretoras do Brasil. 

As notícias em formato de textos curtos e diretos conversam diretamente com investidores, analistas, gestores, ou interessados no mercado financeiro. A startup rentabiliza através de anúncios e venda de seus maillings. 

Nexo Jornal

Lançado há cinco anos com a proposta de fazer jornalismo de forma que contribua para um debate público, o jornal digital Nexo apresenta abordagens diferentes do cotidiano da mídia. Entre seus diferenciais, explora o jornalismo de dados para levar informações de qualidade para seus leitores.

É uma startup de jornalismo independente que não faz venda de publicidade. Seu método de monetização é por meio das assinaturas, onde o leitor tem acesso a conteúdos exclusivos. 

Projeto Draft

A Draft se define como uma plataforma de conteúdo, serviços e eventos que tem como propósito mostrar o impacto de do empreendedorismo criativo na sociedade.  É um espaço para mostrar protagonistas da nova economia e cultura maker. Novos empreendedores brasileiros que trabalham para transformar o mundo em um lugar melhor estão sempre no topo das matérias. 

A plataforma explora o jornalismo de negócio e para se manter financeiramente, vende serviços de construção de reputação de marca, por meio de Content Marketing. Também gera leads de venda e resultados de negócios para clientes.

Gênero e número 

É uma startup de jornalismo e organização de mídia independente, voltada para o debate sobre a equidade de gênero.  Defendem a produção de reportagens baseada em fatos e dados abertos. As matérias têm como diferencial abordar uma parcela da população que encontra pouco espaço nas mídias tradicionais. 

Mais do que ampliar o debate sobre gênero, o Gênero e Número se propõe a dar voz para personagens preocupados em elevar o debate sobre o assunto. O projeto é financiado através de doações, realização de eventos, parcerias com organizações diversas e participação em editais e bolsas de reportagem nacionais e internacionais.

Jornalismo especializado e de dados

Nos cinco exemplos de startups de jornalismo duas características são comum, a setorização do conteúdo e a utilização de dados. Dentro do assunto proposto, as iniciativas encontram maneiras disruptivas para fazer jornalismo com amplo conteúdo para um público cada vez mais nichado. 

O jornalismo de dados é parte principal deste processo. Ele possibilita que o leitor possa ver números estatísticos do assunto e tirar suas próprias conclusões. É o leitor deixando de ser passivo, como cliente das mídias tradicionais, para se tornar parte ativa, que escolhe, opina e interage com o conteúdo. 

As startups se caracterizam por ser empresas tecnológicas, com potencial escalável e rentável. Elas utilizam a tecnologia para crescer sem barreiras territoriais ou físicas. Para se diferenciar e sustentarem a proposta de jornalismo independente, também precisam encontrar maneiras alternativas para rentabilizar seus serviços e produtos. Uma nova forma de fazer, ver e acompanhar o jornalismo.